crítica de Gattaca, filme de 1997 dirigido por andrew niccol e estrelado por Ethan Hawke e Uma Thurman

Gattaca, Andrew Niccol, 1997

De longe a melhor coisa que Andrew Niccol fez na vida. E o mais marcante é a estilização anacrônica com a qual ele cobre o filme. Numa lógica que, por baixo, conta uma história clássica e edificante de ficção científica - tão clássica que parece vinda de um conto de  Philip K. Dick ou de Robert Heinlein - mas que ao redor constrói uma abordagem formal que vai remeter a algo como uma versão lavada de um cinema de Hitchcock tardio.

crítica de Invocação do mal, a ordem do demônio, o terceiro filme da série sobre os casos investigados por ed e lorraine warren

Invocação do Mal 3: A ordem do Demônio, Michael Chaves, 2021

O que destaca esse filme da série esteticamente é a  mesma coisa que quebra a lógica de um tratamento mais sério e frontal com o aspecto “histórico” do que os personagens vivem. Porque mesmo que James Wan (diretor dos anteriores) tenha uma criatividade inerente do seu cinema e uma construção de estilo que se adequa muito bem às suas experiências com gêneros, os dois primeiros filmes da série Invocação do Mal tinham uma base muito sólida de um horror clássico. 

crítica de Shiva Baby, filme independente dirigido por Emma Seligman e estrelado por Rachel Sennott

Shiva Baby, Emma Seligman, 2020

É evidente o quanto o filme “sofre” das mesmas coisas que muitos curtas independentes americanos tornados longas para uma estreia em festivais e que não almejam muito mais que premiações ou se tornarem vitrine e trampolim para a equipe. Nem por isso, Emma Seligman deixa de concretizar bem diretamente os subtextos que traz no próprio roteiro numa exploração estética que é bem profunda apesar da aparente simplicidade da superfície.

texto sobre wolfwalkers, animação indicada ao oscar 2021

Wolfwalkers, Tomm Moore & Ross Stewart, 2020

Gosto como o filme convence muito bem da mitologia. Concretiza algo como um Valente mas que dá muito certo nesse uso das protagonistas enquanto avatares de uma cultura específica. A própria animação suja, rabiscada, que integra a narrativa nas linhas retas e agressivas da civilização em oposição à natureza sem contorno se torna uma boa representação visual da lenda por si.

crítica de Cruella, novo filme da Disney estrelado por Emma Thompson e Emma Stone

Cruella, Craig Gillespie, 2021

Se for pensar bem, não surpreende muito o enredo medíocre e a estética mais banal ainda. Porque o que tinha de mais intrigante no projeto é pensar sobre a premissa. Não a premissa dessa história dessa personagem, mas a ideia basal da Disney de “ressignificar uma vilã cuja marca principal é esfolar filhotes de dálmata pelo motivo mais fútil possível”.