Volta e meia se vê a expressão “carregar o filme” por aí. Normalmente para elogiar uma boa performance de um filme ruim. Acho que se aplicaria aqui se não fosse um detalhe. Não dá pra dizer que Garfield carrega o filme aqui porque o filme não é carregado no fim das contas. 

A atuação emotiva do ator nas cenas mais dramáticas e a musical nas cenas mais musicais de fato é o que segura a vontade de abandonar Tick Tick Boom na maior parte do tempo, mas não é algo que salve a obra de forma nenhuma.

Lin-Manuel Miranda, que é um gênio do teatro musical mas não necessariamente do cinema, aponta a obra para uma estética que fica entre o clássico na hora de construir algumas cenas e o mais formal e chamativo na hora de organizar tudo. A montagem (indicada ao Oscar, absurdo) segue uma lógica de vai e vem com flash backs e forwards em busca da simulação de algum dinamismo.

Paredes se vão, cortes criam relações óbvias, espetáculos costuram a dramaturgia da história e coisas assim. Nunca deixa o filme cair na monotonia de fato, mas também nunca deixa que o peso de nada nos atinja. 

É um filme que fica operando no distanciamento e na esperança de que a gente perceba o quão importante Jonathan Larson foi para aquela Broadway naquele momento. O quão grande foi seu impacto. O quão significante foi ele romper com tradições e dar voz no centro do teatro musical do mundo a personagens e a classes que antes eram relegadas às periferias da arte e da sociedade.

O texto não convence nunca, entretanto. E a forma como a dramaturgia constrói esse cinema também não. São cenas e mais cenas com um excesso de choro, de tentativas de criar impacto, de nos contar histórias de forma fria que nunca se traduzem em nada demais. Se nos emocionamos, muito mais se deve à história do que a quem nos conta ela. 

Só Garfield extrapola isso. Circula entre essas camadas e costura o filme de uma singeleza que cola uma coisa na outra. Mas como eu disse: não carrega o filme. Deixa ele no caminho e vai sozinho até o fim.

tick, tick…boom!, eua, 2021
direção: lin-manuel miranda
roteiro: jonathan larson steven levenson
fotografia: alice brooks
montagem: myron kerstein andrew weisblum
elenco: andrew garfield alexandra shipp robin de jesús vanessa hudgens joshua henry jonathan marc sherman mj rodriguez ben levi ross judith light bradley whitford laura benanti danielle ferland micaela diamond utkarsh ambudkar gizel jimenez kate rockwell aneesa folds joel perez anna a. louizos robyn goodman judy kuhn danny burstein lauren marcus richard kind black thought janet dacal kenita r. miller eddy lee jared loftin kurt crowley ryan vasquez joanna adler sheila tapia ricardo zayas travis patton christopher jackson jelani alladin andrew bancroft chris sullivan luis a. miranda jr. kelly watson chuck cooper andré de shields renée elise goldsberry joel grey wilson jermaine heredia beth malone howard mcgillin brian stokes mitchell bebe neuwirth adam pascal bernadette peters phylicia rashād chita rivera daphne rubin-vega phillipa soo chad beguelin nick blaemire eli bolin jason robert brown eisa davis amanda green quiara alegría hudes joe iconis tom kitt alex lacamoire steven levenson jaime lozano dave malloy matthew mccollum grace mclean helen park stephen schwartz marc shaiman matthew sklar georgia stitt shaina taub jeanine tesori stephen trask sean mcdaniel victoria theodore bryndon cook debbie tjong charles conforti derrick delgado mason versaw javiel sellas barbara ames james c. nicola roger bart emily juean stillings jennifer laroche lauren yalango-grant ayo janeen jackson lucy struever stephanie crousillat gaby diaz ilia jessica castro marie rose baramoski keisha ‘sparkle’ hughes lane napper kyle mcintire sean ryan christopher grant austin goodwin carlos gonzalez elizabeth chestang callan bergmann kyle richard robinson erin n. moore taeler cyrus spencer clark ehizoje azike chloe n. crade maira barriga toyama christine seinicki purdie baumann erin monteleone noah lentini jacob patrick wasson adriel flete dwany guzman victoria caban melody rose alexia belrose lin-manuel miranda stephen sondheim ken holmes jonathan larson

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