É interessante como o filme fica muito aberto a certos clichês. Se apoiando, por exemplo, na coisa cíclica da música no carro como momento de extravasar diário da protagonista. Vai construindo por fragmentos de rotina esse vazio da pós-meia idade onde você não é mais necessário mas por outro lado ainda tem muita vida pela frente. 

Lélio adapta a própria história para uma realidade que, sem ter visto o original, percebe-se ser muito menos interessante que a outra. Porque o que fica é meio que o ranço de ser mais uma história de uma mulher branca de classe média de Los Angeles. 

Ainda que ela não esteja com a vida resolvida; ainda que o filme se debruce sobre o envelhecer feminino pouco explorado; ainda que ela tenha muita vida e muita história para explorar. Nada que salve Glória de parecer genérico demais.

No fim, não consigo escapar da ideia de que a vida dessa mulher numa realidade sul-americana deve ser muito mais interessante. E não sei se o diretor consegue transformar esse “vazio” da vidinha californiana em algo que sustente a narrativa para além de uma colagem de situações. Inofensivo.

gloria bell, eua, 2018
direção: sebastián lelio
roteiro: sebastián lelio gonzalo maza
fotografia: natasha braier
montagem: soledad salfate
elenco: julianne moore john turturro michael cera caren pistorius brad garrett sean astin holland taylor jeanne tripplehorn rita wilson chris mulkey barbara sukowa alanna ubach tyson ritter cassi thomson jesse erwin chopper bernet gerard sanders sam behrens roberta hanlen jenica bergere vania tzvetkova aileen burdock

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