Se não fosse pela espiral de repetição temática dessa trama – Bella sente falta de Edward, Bella fica triste, Bella busca conforto em Jacob – por um bocado do segundo ato longo, daria pra Lua nova se apegar mais numa abordagem melodramática frontal e até ser um bom filme no fim das contas

Visualmente, Chris Weitz eleva o universo apresentado no anterior. Mesmo que o digital seja horrível, o filme parece que se faz de construções de quadros emblemáticas como a de Edward na Itália abrindo a camisa ou as cenas de sonho dela. Até mesmo na hora de integrar isso tudo ao desenrolar de enredo aqui. 

Em diversos momentos, o filme constrói os saltos temporais a partir de planos que giram ao redor da protagonista apática. As folhas caem, a neve começa e se vai, chove, mas a jovem segue imóvel e abandonada. 

A atuação de Stewart não necessariamente é boa, mas ela ao menos consegue internalizar tudo isso. Ou a sua apatia simplesmente encaixa bem aqui. Parece que ela está mais reativa. (inclusive em algumas cenas divertidas dela hipnotizada pelo torso bem definido de Jacob, com tanquinho e um peitoral largo)

Aliás, os quadros dele em relação à floresta ou aos penhascos são mais alguns dos elementos dessa visualidade mais “apurada” da troca de diretor. Embora no fim das contas seja tudo um fetiche frio que só deixa o filme mais agradável mas não avança em muita coisa.

No caso de Pattinson, existe uma intencionalidade clara na forma como ele atua. A languidez da movimentação e do tom de voz, a distância dos mortais impressa na forma como ele olha. Cabe ao papel aqui, mas ao mesmo tempo impede qualquer convencimento do que ele sente. 

Em certos momentos, quando o personagem considera suicídio caso Bella morra (coisa bem referenciada no primeiro plano do filme onde ela acorda ao lado de uma cópia de Romeu e Julieta), ele não consegue nos comover nem por um instante. O sentimento é de confusão mesmo. 

Não dá pra entender o sentimento para além do que é dito. O que aliás acaba se fortalecendo aqui como a grande marca da franquia: a exposição didática de tudo. Os diálogos, as explicações, as repetições das explicações, os sentimentos expressos por palavras e não por ações. 

Tudo nos afasta mais e mais da possibilidade de conexão.

the twilight saga: new moon, eua, 2009
direção: chris weitz
roteiro: melissa rosenberg
fotografia: javier aguirresarobe
montagem: peter lambert
elenco: kristen stewart robert pattinson taylor lautner billy burke peter facinelli ashley greene jackson rathbone elizabeth reaser nikki reed kellan lutz edi gathegi rachelle lefevre anna kendrick michael welch christian serratos gil birmingham graham greene michael sheen jamie campbell bower dakota fanning christopher heyerdahl cameron bright justin chon tyson houseman daniel cudmore charlie bewley kiowa gordon alex meraz bronson pelletier tinsel korey justine wachsberger noot seear chaske spencer russell roberts adrien dorval michael adamthwaite christina jastrzembska

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