É sempre fascinante rever. O controle, a estrutura do desenrolar destes núcleos, o quanto o filme é um mecanismo complexo de contrapesos que se equilibram.

Em qualquer momento de qualquer cena. O velório da esposa do personagem de Liam Neeson com uma música inadequada, seguido pelo momento melancólico de Andrew Lincoln vendo a mulher que ama se casar, cortado pela piada do DJ horrível da festa. A cena cômica dos desentendimentos idiomáticos de Colin Firth com a sua assistente portuguesa cortada pela seriedade da paixão que sentem um pelo outro. O luto do menino que acaba de perder a mãe, confrontado pelo padrasto, confessando que está apaixonado.

Curtis faz desse o melhor mosaico de comédia romântica já feito pela sensibilidade de lidar, não só com estes extremos de gênero que vão desde o realizar terrível da personagem de Emma Thompson até a tosca aventura romântica do jovem machista britânico nos EUA, mas também com essa amplitude da definição de amor. Central à obra. É um longa que consegue manter uma conformação de gênero simples mas sem abandonar as complexidades das suas emoções.

O melhor momento, o mais impactante, é quando Karen abre o presente de natal esperando uma coisa e recebendo outra e é obrigada a, por um momento, sentar no quarto sozinha e ouvir a música de Joni Mitchell. Isso enquanto percebe que, apesar de ter acabado, a história passada foi bela e repleta de amor. Com justo uma música que fala sobre a quebra do romance nos contos de fadas. (“eu olhei o amor pelos dois lados agora…”)

Simplesmente amor lida com o mesmo esmero tanto com o aspecto mágico ao redor do cotidiano quanto para as rotinas mais dolorosas das relações. Com momentos que parecem não pertencer a este mundo (Colin nos EUA) e com outros que são dolorosamente reais (tipo se apaixonar pela mulher do melhor amigo). 

O segredo é conseguir desenrolar tudo de uma forma singela a fim de equilibrar suas complexidades com seus lados tão mais simplórios. É imperfeito, fruto de um tempo não muito distante e um bocado mais intolerante que hoje, mas é um filme que parece ter essa noção das importâncias de relações genuínas muito mais do que do tratamento dos seus temas.

love actually, inglaterra, 2003
direção: richard curtis
roteiro: richard curtis
fotografia: michael coulter
montagem: nick moore
elenco: hugh grant liam neeson alan rickman emma thompson bill nighy laura linney colin firth martine mccutcheon keira knightley andrew lincoln chiwetel ejiofor martin freeman rowan atkinson thomas brodie-sangster rodrigo santoro heike makatsch lúcia moniz gregor fisher joanna page kris marshall adam godley elisha cuthbert january jones shannon elizabeth denise richards nina sosanya billy bob thornton claudia schiffer lulu popplewell olivia olson sienna guillory dan fredenburgh sheila allen rory macgregor carla vasconcelos tim hatwell frank moorey jill raymond lynden david hall jont whittington julia davis edward hardwicke caroline john richard hawley ivana miličević marcus brigstocke anthony mcpartlin declan donnelly joanna bacon bill moody laura rees nancy sorrell elisabeth margoni jo whiley brian bovell michael parkinson meg wynn owen michael fitzgerald william wadham colin coull margery mason ruby turner arturo venegas helder costa raul atalaia emma buckley jeanne moreau frances de la tour richard curtis anne reid richard wills-cotton

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