Pensando no aspecto banal inerente de um filme que se dá principalmente a partir de cenas internas e que depende basicamente do talento das atrizes principais, é surpreendente como Meneghetti consegue trazer algo inventivo para a decupagem das cenas. Os ambientes são tão importantes, as memórias que cobrem os arredores daquela vida privada, as fotos, as caixas escondidas, as frestas, o olho mágico na porta. 

Isso sem contar aquela cena inicial. Tão intrigante e que assombra o resto do filme todo. Mesmo sendo absolutamente simples. A árvore como um portal que faz a personagem sumir no mundo. Junto da trilha, já no desenrolar da história principal, cria-se um suspense sem muito esforço a partir dos mecanismos desta rotina. 

A luz automática do corredor, a cortina do banheiro, o elevador como denúncia de que alguém está chegando. O romance sustenta tudo isso, mas ele é só um detalhe perto do que a estética constrói ao redor. 

A resolução soa um tanto morna. Assim como toda a construção folhetinesca desse enredo. Mas as atrizes dão conta. É bom ver um cinema sério, intimista, que tenta lidar com temas grandes dessa forma mais direta e dá conta de fazer isso.

deux, frança, 2019, 2021
direção: filippo meneghetti
roteiro: filippo meneghetti, malysone bovorasmy
fotografia: aurélien marra
montagem: ronan tronchot
elenco: barbara sukowa martine chevallier léa drucker jérôme varanfrain denis jousselin aude-laurence clermont biver eugenie anselin hervé sogne daniel trubert tara klassen alice lagarde augustin reyes cécile dessillons stéphane robles jerôme tewes

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