Meio que saltando diretamente do discurso de Smith no segundo filme, Revolutions lida muito mais com a ideia de propósito, com livre arbítrio e com a filosofia mais clara no caminho de Neo do que o anterior. 

É como se depois de um momento com Trinity e de uma negociação, ele adquirisse novamente as responsabilidades de seu papel de messias e escolhesse enfrentar cara a cara o problema central: um programa que, ao perder sua razão de ser, se torna um problema para máquinas e humanos. 

Enquanto isso, sentinelas e o resto das pessoas em Zion se confrontam num campo de batalha cyberpunk subterrâneo. Duas naves, dois caminhos, como disse Niobe. O filme então se desfragmenta entre o aspecto metafórico filosófico e as sequências de ação. 

O que vai terminar numa sinuca de bico estrutural. Dois finais e um fechamento imperfeito para a trilogia. Apesar de nos entregar de bandeja o que há de mais refinado no cinema de atrações dos 2000s na sequência em Zion.

A batalha entre máquinas e humanidade tem sua carga análoga ao cinema sobre guerra com os grandes atos de sacrifício, além de carregar essa metáfora de uma nação lutando em prol de uma ideia. Mas o que marca mesmo é o espetáculo da visualidade. 

Sentinelas como cardumes se sacrificando também para proteger as perfuradoras gigantescas. Trajes robóticos. Metralhadoras. Bazucas. Como algo saído de Star Wars só que… melhor. 

Muito por conta da fisicalidade. Tudo tem um peso imenso, tudo é feito de metal, tudo exige um carregamento mecânico e projéteis enormes. Isso enquanto Niobe faz drift nos túneis estreitos com a nave eletromagnética. 

Um ápice dramático e de ação ao mesmo tempo que poderia muito bem ser o final do filme mas que ainda precisava encerrar o arco do protagonista e o martírio.

Não tem uma saída fácil. Uma cena é tão importante quanto a outra e as duas seriam enfraquecidas se montadas paralelamente. O que importa, no fim das contas, é que as diretoras sabem do poder e do peso de cada um dos sacrifícios feitos. Colocando na superfície das imperfeições da estrutura geral, a carga de emoção trazida por aqueles personagens.

Isso enquanto ecoam o desfecho do original no embate entre o programa e o escolhido. Um absorvendo o outro, entregando a própria força para, a partir disso, salvar aquele mundo. É apropriado que, numa saga sobre mecanização versus humanidade, o que mais importa seja a emoção no final das contas.

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