Nem lá nem cá, é surpreendente como David Gordon Green consegue tirar algo de muito prazeroso da violência e das repetições de diálogos sobre o aspecto sombrio de Michael Myers mesmo que o próprio filme pareça não tomar uma decisão sobre quem é o homem. Ou sobre o que quer ser enquanto obra.

Do lado verborrágico, expositivo e celebratório da figura do monstro, a melhor coisa é como o filme se vê, se monta e se desdobra enquanto um estudo daquela comunidade. Um estudo de Haddonfield como um local desgraçado, assombrado pela violência e brutalidade daquelas noites passadas. 

É como se o filme, a partir do fato de que quase de tudo já foi feito com essa franquia, optasse por decupar os aspectos da simplicidade que montam o filme. Ainda que não pareça tomar uma decisão com muita facilidade.

Michael Myers primeiro é uma manifestação do mal. Depois, através de um bocado de diálogos e monólogos sobre ele, é um menino assustado que volta sempre para aquele mesmo ponto, para reviver a glória ou o horror de quando se tornou uma força maligna. Depois, no fim, é quase um ser mítico, imparável, inevitável, monstruoso, beirando a irrealidade.

Num extremo, a sua figura é decomposta pelos relatos e pelos traumas dos personagens que o encontraram. Em outro, é celebrada pela violência extremamente satisfatória que Gordon Green cria a partir de um leque diverso de ambientes e situações. 

O que ninguém explica e que interfere nestes dois lados é o vaivém do conto humanista que se dá no hospital da cidade. 

Uma ponderação sobre justiça e vigilantismo, um arco atrapalhado de uma comunidade em fúria, uma protagonista icônica e poderosa presa aos corredores sem nenhuma função aparente. 

É o que denuncia o problema principal aqui. É um filme do meio. Então, por mais satisfatório que ele busque ser, ele se vê obrigado a se apoiar nestes subterfúgios para afastar os dois lados desse conflito. Laurie e Michael. Como que para preparar a arena para o vindouro, já anunciado, Halloween Ends. 

Ao menos vale dizer que o filme nunca esconde esse aspecto episódico. Ele cria uma gama ampla e diversa de personagens, cenários e situações que nos levam para um passeio naquela cidade maldita. 

E faz tão bem o trabalho de tornar detestáveis os “caçadores de Michael” que o desfecho não é nada menos que climático nesse mini arco criado aqui.

Halloween Kills, EUA, 2021
direção: David Gordon Green
roteiro: Danny McBride, David Gordon Green, Scott Teems
fotografia: Michael Simmonds
montagem: Timothy Alverson
elenco: Jamie Lee Curtis Judy Greer Andi Matichak James Jude Courtney Nick Castle Airon Armstrong Will Patton Thomas Mann Jim Cummings Dylan Arnold Robert Longstreet Anthony Michael Hall Charles Cyphers Scott MacArthur Michael McDonald Ross Bacon Kyle Richards Nancy Stephens Diva Tyler Brian Mays Lenny Clarke Michael Smallwood Carmela McNeal Omar J. Dorsey Damien Lee Salem Collins Giselle Witt J. Gaven Wilde Tom Jones Jr. Colin Mahan Brian F. Durkin Tristian Eggerling Drew Scheid Holli Saperstein Ryan Lewis Jacob Keohane Charlie Benton Christian Michael Pates Jibrail Nantambu P.J. Soles Bob Odenkirk Nancy Kyes Tony Moran Haluk Bilginer

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